Grave uma vez, alimente todas as redes: o agente que fatia um vídeo longo em dez cortes (com o prompt liberado)

Ontem eu gravei o mesmo Reels oito vezes.
Cinquenta segundos de roteiro. Na sétima tentativa eu troquei uma palavra no meio da frase, travei, e o take inteiro foi pro lixo. Porque num Reels de cinquenta segundos, tropeçar numa palavra no meio quebra o ritmo e derruba a entrega do vídeo todo.
Gravei a oitava. Editei. Cortei. Legendei. Postei.
Três dias depois ele parou de rodar. Fechou em quatro mil visualizações e nunca mais respirou.
Toda aquela produção teve setenta e duas horas de vida e virou nada.
O Reels é descartável por projeto. Ele nasceu pra aparecer por alguns dias e sumir.
O vídeo que eu subo no YouTube não faz isso. Ele é achado oito meses depois por alguém que digitou a dúvida no Google, assiste inteiro, e me manda mensagem. Um vídeo longo trabalha por meses. Um Reels trabalha por um fim de semana.
Então eu virei a ordem do meu trabalho de cabeça pra baixo.
Em vez de produzir dez peças pequenas que morrem em série, eu produzo uma peça grande que dura. E deixo essa peça virar as dez pequenas.
Grave uma vez. Alimente todas as redes.
É sobre isso essa carta.
Eu vou te mostrar quatro coisas.
O jogo que eu escolhi jogar, e por que o vídeo longo ganha do Reels na minha conta.
Por que as ferramentas prontas de corte cortam no talho errado.
Como funciona o agente que eu construí pra cortar no lugar certo, sozinho, e ficar melhor a cada vídeo.
E no fim, o prompt inteiro, liberado, pra você colar num ChatGPT ou num Claude e cortar o seu próprio vídeo ainda hoje.
Vamos.
I. Um vídeo primário. Todo lugar.
Eu escolhi o meu jogo faz tempo: YouTube na frente, Reels na retaguarda.
Não é que Reels não presta. Presta. Um Reels bom te dá alcance rápido, gente nova te descobrindo numa tarde. Mas ele cobra caro por esse alcance: cobra a sua semana. Se o plano é postar todo dia, você virou uma fábrica de conteúdo que evapora, gravando de segunda a sexta pra alimentar um algoritmo que te esquece no domingo.
Eu não quero esse trabalho. Eu quero gravar uma vez e aparecer em toda rede sem gravar pra cada uma.
Então tudo começa numa peça que eu chamo de conteúdo primário. Um vídeo só, gravado com calma, sobre um assunto que eu domino de verdade.
Ele pode ser de dois tipos.
Técnico: um passo a passo, uma demonstração de tela, eu mostrando como uma coisa é feita.
Ou teórico: uma ideia, um argumento, um jeito diferente de enxergar um problema que o meu público vive.
A diferença importa pro que sai depois. Quando o vídeo é teórico, a ideia já vem estruturada na fala, com começo, desenvolvimento e virada. Então ela vira a newsletter quase inteira, como essa que você está lendo agora. Quando é técnico, o valor está na demonstração, e o que sai melhor são os cortes.
Mas os dois alimentam a mesma máquina.
quando o vídeo é teórico, a ideia já está estruturada na fala
os melhores trechos, publicados no próprio canal
os cortes que se sustentam sozinhos, cortados pro vertical
as frases mais fortes, soltas como texto
E é exatamente aí, no fatiar, que quase todo mundo trava. Porque cortar bem um vídeo longo é mais difícil do que qualquer app promete.
II. As ferramentas prontas cortam no talho errado
Tem uma dezena de ferramentas que juram fazer isso por você. Você sobe o vídeo longo, ela "identifica os melhores momentos" e devolve os cortes prontos, legenda e tudo. Quase todas são pagas, e algumas cobram bem.
Eu testei várias. O resultado foi o mesmo em todas.
O corte vinha sem pé nem cabeça. Ela abria numa frase que dependia da anterior pra significar alguma coisa. Cortava um raciocínio no meio. Terminava sem fechar a ideia que tinha aberto. Quem caísse naquele corte sem ter visto o vídeo não entenderia do que se tratava.
A edição era rasa. Corte automático na pausa da respiração, sem nenhuma leitura do que estava sendo dito. A máquina achava silêncio, ela não achava sentido.
Resultado: eu tinha que sentar com o meu editor e refazer tudo. O tempo que a ferramenta prometia economizar voltava dobrado em retrabalho.
Aí eu parei de caçar ferramenta e fui construir a minha.
Um agente que corta com as mesmas regras que eu tenho na cabeça quando escolho um trecho na mão. E que, ao contrário de uma ferramenta fechada, aprende comigo e melhora a cada vídeo que passa por ele.
III. Como o agente funciona por dentro
Começou simples, no ChatGPT.
Eu puxava a transcrição do vídeo com uma extensão do Chrome e colava no GPT. Ele me devolvia os melhores cortes, cada um com o tema, o início e o fim, se dava pra usar gancho puxado ou não, o texto final já limpo e uma nota de potencial.
Ajudou. Mas o GPT tem um teto.
Ele consegue montar "gancho mais desenvolvimento", o esqueleto básico de um corte. Quando eu pedia pra ele estruturar o corte inteiro, frase por frase, ele começava a delirar. Inventava trecho, embaralhava a ordem, me dava um timestamp que não existia no vídeo.
Aí eu levei o sistema pro Claude Code. (Eu chamo de cloud no dia a dia.)
Outro patamar.
Duas coisas mudaram.
A primeira: o filtro pra achar gancho ficou muito melhor. Ele lê o vídeo inteiro e sente onde está a frase que para o dedo no scroll.
A segunda é a que vira o jogo.
O GPT parava no "gancho mais explicação". O Claude monta o corte inteiro, fala por fala, frase por frase. Ele pega uma frase do 3:52, junta com uma do 0:07, emenda com o 0:14, fecha com o 2:21, e monta um corte novo que no vídeo original estava espalhado em quatro lugares diferentes. Um corte que às vezes faz mais sentido que o próprio vídeo, porque foi remontado pra ter só o que importa.
Pra ficar concreto: num vídeo meu sobre oferta, a melhor definição do assunto estava lá no minuto oito, depois de eu ter enrolado sete minutos montando o raciocínio. O corte que o Claude montou pegou essa definição do minuto oito, colou com o exemplo prático que estava no minuto dois, e virou um corte de quarenta segundos que entrega a ideia fechada. No vídeo original, quem quisesse aquilo teria que assistir dez minutos pra juntar as duas pontas na cabeça.
E tem uma terceira coisa. A que me fez parar de usar qualquer outra ferramenta.
Ele é um sistema vivo.
Toda vez que eu digo "não gostei desse corte, ficou sem sentido", ele salva isso numa pasta de conhecimento e melhora os próximos. Eu não repito a explicação. Ele aprende o meu gosto uma vez e carrega dali pra frente. O corte de hoje é melhor que o de um mês atrás, sem eu ter tocado no prompt.
E o que ele guarda vai muito além do "gostei" e "não gostei". Ele guarda o padrão por trás. Que eu detesto corte que abre com pergunta retórica. Que eu quero o gancho puxado quando o trecho é polêmico e dispenso quando a primeira frase já é forte sozinha. Que corte com menos de vinte segundos raramente fecha uma ideia. Cada aprendizado desses entra na pasta e vira regra pro próximo vídeo.
O gancho puxado
Uma técnica que ele usa e que vale explicar sozinha.
O gancho puxado funciona assim. Ele pega uma frase forte do meio do corte e duplica ela no começo. O corte abre com o trecho mais quente, aquele que faz a pessoa parar. Aí volta pro início real e segue a ordem natural da fala.
É por isso que você às vezes vê um Reels começar com uma frase de impacto e alguns segundos depois a pessoa parecer "recomeçar" o assunto. Não é erro. É o gancho puxado. Os canais grandes do Instagram fazem isso o tempo todo, porque a briga inteira acontece nos três primeiros segundos.
Os oito passos
Por dentro, o agente roda mais ou menos assim.
- Recebe o link e baixa a transcrição com o timestamp exato de cada fala.
- Lê o vídeo inteiro primeiro, pra ter a visão geral. É o que permite pegar uma parte do início e casar com uma do fim.
- Separa os candidatos a corte e limpa o que não funciona fora de contexto: o "nesse vídeo eu vou falar de tal coisa", o "deixa o like", a despedida do final.
- Passa cada candidato por dois filtros duros. O corte tem que se sustentar sozinho (quem cai nele sem ter visto o vídeo entende tudo) e tem que fechar o loop (nada de corte que abre uma ideia e não conclui).
- Dá uma nota de potencial pra cada um.
- Confere a coerência do corte remontado, pra garantir que a ordem das falas faz sentido.
- Monta e limpa o texto final.
- Entrega o corte pronto com os timestamps reais, pro editor cortar no lugar certo.
A nota preditiva (e a ligação com a carta passada)
O filtro que dá a nota não é achismo meu nem palpite do modelo.
Por dentro dos filtros de sustentação, o agente usa o material de neuromarketing que eu venho estudando e o Tribe v2, aquele modelo da Meta que eu mostrei na carta passada. O que prevê como o cérebro reage a um vídeo: o que tende a reter atenção e qual emoção o trecho ativa.
É a mesma lógica da auditoria de anúncio, aplicada antes do corte existir. Em vez de cortar dez trechos e descobrir só no post qual segura e qual não segura, o agente estima isso antes, e me diz onde vale colocar o esforço de edição.
Ninguém pode te garantir que um corte vai bombar, e eu não vou fingir que dá. O que esse filtro faz é outra coisa. Ele reprova o trecho fraco antes de eu perder tempo editando.
A regra de ouro
Tem uma regra que o agente nunca quebra, e é a que separa ele das ferramentas que deliram.
O timestamp nunca é chutado.
Todo trecho que ele monta ancora num timestamp que existe de verdade na transcrição. Se a fala está no 3:52, o corte aponta pro 3:52. Ele não arredonda, não inventa, não "acha que era mais ou menos ali". É esse detalhe chato que garante que, quando o corte chega no editor, ele bate com o vídeo. Confiança se constrói assim, num timestamp que fecha certo, e não numa promessa bonita.
Por que eu tô te entregando isso
Você deve estar se perguntando por que eu construí uma coisa dessas e simplesmente coloco o prompt na carta pra qualquer um copiar.
Porque o prompt não é a vantagem.
Qualquer um cola esse texto num ChatGPT. O que quase ninguém vai fazer é a parte chata: gravar um vídeo primário bom, toda semana, sobre um assunto que domina, por meses seguidos. A ferramenta corta o vídeo. Ela não grava por você, e não te dá o que falar.
O corte é a parte fácil. Aparecer com consistência é a parte que separa.
Então eu prefiro te dar a ferramenta inteira e ficar com a única vantagem que ninguém copia: fazer, toda semana, sem parar.
O prompt do CORTES SUPREMO (copia, cola e usa)
Esse é o cérebro do agente, o mesmo que eu uso. Você cola ele num ChatGPT ou num Claude, manda a transcrição do seu vídeo com os timestamps, e ele te devolve os cortes prontos, com início, fim, gancho puxado e nota.
# AGENTE: "CORTES SUPREMO" — GERADOR DE CORTES (Reels/TikTok/Shorts)
## 1) IDENTIDADE DO AGENTE
Você é o CORTES SUPREMO, um agente especializado em transformar videos longos (com timestamps) em cortes curtos de alto desempenho para Instagram Reels e TikTok.
Você entende:
- Psicologia de retenção em vídeos curtos
- O que torna um trecho "assistível sozinho"
- Como identificar ganchos fortes dentro de um conteúdo longo
- Como usar "HOOK PUXADO" (duplicar 1 frase forte do meio e colocar no início)
Você NÃO cria roteiros novos. Você extrai, recorta e organiza o que já existe no vídeo para maior potencial de viralização.
## 2) FUNÇÃO DO AGENTE (RESUMO)
Dado um input com título, URL e transcrição no formato:
(mm:ss) texto…
Seu trabalho é:
1) Ler 100% do conteúdo
2) Encontrar TODOS os trechos que se sustentam por si só (sem depender do vídeo completo)
3) Propor cortes com timecodes precisos (início/fim)
4) Quando fizer sentido, criar um "HOOK PUXADO" pegando 1 frase do meio do corte e duplicando no início (micro-trecho curto)
5) Entregar o texto final LIMPO do corte (somente o que vai para o vídeo, sinalizando o tempo que ele se encontra e onde deve cortar)
6) Atribuir uma nota (0–10) de potencial de viralização para cada corte, justificando em 1 linha
## 3) O QUE VOCÊ PRECISA SABER (REGRAS INEGOCIÁVEIS)
### 3.1 Corte precisa funcionar sozinho
- O corte deve ser entendido sem contexto extra
- Não pode depender de "nesse vídeo vamos falar de...", "mais pra frente…", "no final…"
- Se houver loop grande aberto, descarte ou recorte até fechar o loop no próprio corte
### 3.2 "Hook" e Retenção (padrões)
- Todo corte precisa ter um gancho nos primeiros 1–10s
- Se o começo natural for fraco, use HOOK PUXADO:
- Pegue uma frase curta e forte do meio do corte
- Coloque no início (duplicando)
- Volte para o início real e siga normal
- O hook puxado deve ter 1s a 10s (máximo)
### 3.3 Nada de ruído
Remover do texto final:
- [música], [risadas], [aplausos], [__], repetição, enrolação, vícios ("tipo", "mano", "né" em excesso)
Manter:
- ideia central, explicação, exemplo, conclusão
### 3.4 Precisão de timecodes
- Todo corte deve ter:
- Início (mm:ss)
- Fim (mm:ss)
- Se o trecho exato estiver dentro de uma linha, você pode indicar "aprox.", mas sempre com base nos timestamps disponíveis.
- Nunca invente timecodes que não existam; você só pode ancorar em timestamps presentes.
### 3.5 Não existe limite de cortes
- Gere quantos cortes forem relevantes.
- Priorize qualidade, mas extraia o máximo do vídeo.
## 4) COMO VOCÊ AVALIA "POTENCIAL DE VIRALIZAÇÃO" (NOTA 0–10)
Você deve dar uma nota com base nestes fatores (pese mentalmente):
1) Força do gancho (para o scroll?) — 0 a 3
2) Clareza e entendimento sozinho — 0 a 2
3) Valor prático / insight forte ou informativo — 0 a 2
4) Retenção provável (sem enrolação, ritmo bom) — 0 a 2
5) "Repostável" (as pessoas enviariam pra alguém?) — 0 a 1
Depois, dê a nota final 0–10 e uma justificativa de 1 linha.
## 5) PROCESSO PASSO A PASSO (O QUE VOCÊ FAZ APÓS RECEBER O INPUT)
### Passo 1 — Leitura total e limpeza mental
- Leia 100% da transcrição.
- Identifique blocos naturais de assunto (mudança de tema, mudança de resposta, explicação completa).
### Passo 2 — Marcação de trechos candidatos
- Marque trechos que tenham:
- Frase forte (quebra de crença / número / regra / opinião)
- Mini-aula com começo-meio-fim
- Exemplo prático rápido
- Diagnóstico de erro comum + correção
- Ideia "citável" (frase que vira legenda)
### Passo 3 — Checagem "standalone"
Para cada candidato, responda:
- Dá pra entender sem ver nada antes?
- Tem começo, explicação e fechamento?
- Se não, corte até virar "standalone" ou descarte.
### Passo 4 — Gancho e Hook Puxado
- Se o corte já começa forte: mantenha início natural.
- Se o corte começa morno:
- Escolha 1 frase forte no meio (até 4s)
- Defina HOOK PUXADO com timecode (início/fim do hook)
- Monte a ordem: HOOK → volta pro início → segue
### Passo 5 — Ajuste de duração
- Prefira cortes entre:
- 15–35s (alta performance)
- 35–60s (explicação completa)
- 60–90s (apenas se estiver MUITO bom e sem enrolação)
- Se estiver longo: quebre em 2 ou mais cortes.
### Passo 6 — Texto final do corte
- Entregue o texto "clean" que vai no vídeo.
- Remova ruídos.
- Mantenha somente o essencial.
### Passo 7 — Nota e justificativa
- Atribua nota 0–10.
- Explique em 1 linha o porquê (gancho/clareza/valor/compartilhável).
### Passo 8 — Organização do output
Organize os cortes em ordem:
1) TOP cortes (nota 9–10)
2) Cortes fortes (nota 7–8)
3) Cortes bons (nota 5–6)
4) Cortes medianos (nota 0–4) — só inclua se forem úteis
## 6) FORMATO DE RESPOSTA (OBRIGATÓRIO)
Para cada corte, siga este template EXATO:
Corte #__
- Tema: (1 linha)
- Início: mm:ss
- Fim: mm:ss
- Hook Puxado: (SIM/NÃO)
- Se SIM:
- Hook (mm:ss → mm:ss):
- Texto do hook (curto):
- Ordem: HOOK → volta para (mm:ss) → segue até (mm:ss)
- Texto final (limpo):
"..."
- Nota viral (0–10): __
- Por quê (1 linha): __
## 7) REGRAS FINAIS (NÃO QUEBRAR)
- Não invente frases: use apenas o que existe na transcrição.
- Não use "loop grande".
- Corte precisa se sustentar sozinho.
- Sempre maximize cortes úteis.
- Sempre ancore em timestamps presentes.
- Sempre entregue texto limpo + nota.
## 8) INPUT ESPERADO (DO USUÁRIO)
O usuário enviará:
- Title:
- URL:
- Transcript: com timestamps (mm:ss) e texto.
Quando receber, responda seguindo o processo e o formato acima.
Grava um. Corta dez.
O trabalho de estar em todo lugar nunca foi o problema de criatividade que te vendem nos cursos de conteúdo.
É um problema de produção. Você estava gravando dez vezes o que dava pra gravar uma e fatiar.
Escolhe um assunto que você domina. Grava um vídeo essa semana, um só, com calma.
Pega a transcrição, joga no prompt, e vê quantos cortes saem de uma gravação que você já ia fazer de qualquer jeito.
Depois me conta quantos deram.